
Foto Gladys Branco
Estamos findando a primavera e com ela se despede também o canto dos sabiás que vão encerrando mais um ciclo de reprodução. Eles fazem um ritornelo, que é um canto de sedução e marcação de território, uma política de coexistência na natureza. Os sabiás parecem ser especialistas nessa espécie de cântico. Cantam numa época específica e em uma região específica das montanhas. Um espetáculo sonoro para os ouvidos humanos, mas para eles, uma questão de sobrevivência.
“O mundo é sonoro, é ótico”,diz o filósofo Gilles Deleuze. E quando já não escutamos o mundo, é porque o perdemos. Perdemos completamente o mundo. Só os especialistas entendem os sons e as imagens do mundo. O mundo passa despercebido diante dos sentidos da maioria dos humanos. Tamanha tragédia tem a sua origem na formação da consciência, ou seja, “ter consciência” é, ao mesmo tempo, “perder a consciência” de um resto incomensurável. Nossos sentidos se condicionam pela busca das finalidades, queremos o mundo para as nossas finalidades narcísicas. Por isso, engaiolamos os pássaros para que cantem privativamente para nós. Que idéia imbecil essa de privatizar a sonoridade dos pássaros! Achamos que o sabiá e, os demais pássaros, cantam para nossos ouvidos.
Ainda assim, sob esse narcisismo, pouco ou quase nada sabemos ou ouvimos da natureza sonora dos pássaros. Eles não cantam para nossos ouvidos, são absolutamente indiferentes aos nossos sentimentos, eles cantam para que a vida seja possível de continuar.
Há um sentido religioso no clamor de um mundo que se perdeu, não é com o além-mundo que o homem quebrou o seu vínculo, o homem se desligou do mundo sonoro e ótico. Por isso, o apelo à fé: cristão, ateus, judeus e crentes de qualquer ordem, precisamos de uma fé no mundo de tal maneira que possanos re-ligar à Terra. Terra que dá a semente, que alimenta todas as formas de vida. Os sabiás cantam a esse vínculo de fidelidade. Não só eles, mas toda a multiplicidade sonora tem esse sentido de afirmação à vida.
“O mundo é sonoro, é ótico”,diz o filósofo Gilles Deleuze. E quando já não escutamos o mundo, é porque o perdemos. Perdemos completamente o mundo. Só os especialistas entendem os sons e as imagens do mundo. O mundo passa despercebido diante dos sentidos da maioria dos humanos. Tamanha tragédia tem a sua origem na formação da consciência, ou seja, “ter consciência” é, ao mesmo tempo, “perder a consciência” de um resto incomensurável. Nossos sentidos se condicionam pela busca das finalidades, queremos o mundo para as nossas finalidades narcísicas. Por isso, engaiolamos os pássaros para que cantem privativamente para nós. Que idéia imbecil essa de privatizar a sonoridade dos pássaros! Achamos que o sabiá e, os demais pássaros, cantam para nossos ouvidos.
Ainda assim, sob esse narcisismo, pouco ou quase nada sabemos ou ouvimos da natureza sonora dos pássaros. Eles não cantam para nossos ouvidos, são absolutamente indiferentes aos nossos sentimentos, eles cantam para que a vida seja possível de continuar.
Há um sentido religioso no clamor de um mundo que se perdeu, não é com o além-mundo que o homem quebrou o seu vínculo, o homem se desligou do mundo sonoro e ótico. Por isso, o apelo à fé: cristão, ateus, judeus e crentes de qualquer ordem, precisamos de uma fé no mundo de tal maneira que possanos re-ligar à Terra. Terra que dá a semente, que alimenta todas as formas de vida. Os sabiás cantam a esse vínculo de fidelidade. Não só eles, mas toda a multiplicidade sonora tem esse sentido de afirmação à vida.





