A antropologia de Pierre Clastres descreve tipos de sociedades “contra o Estado”. Não que essas sociedades sejam contra o Estado, mas porque elas estão de tal forma organizadas que não permitem a permanência de um déspota pelo tempo que seria necessário à formação de um Estado. O sistema de liderança é móvel e horizontal, não há tempo para a cristalização de hierarquias no seio da sociedade. Daí, serem reconhecidas como “Sociedades Contra o Estado”. E nem adianta alegar que tais sociedades se encontrariam em um estado primitivo da evolução, elas são assim mesmo, sem Estado. De uma certa forma, imitam a vida.
Quando pensamos na vida, não encontramos nenhuma forma de hierarquia que a sustente. Não há valores na vida que sobreponham uma ordem de baixo para cima, valores maiores e menores. A vida é um conjunto ilimitado, sem fronteiras interiores ou exteriores. Não há maior nem menor na vida. Por isso, a vida não se remete a um objeto nem deriva de um sujeito. Não há em cima nem embaixo da vida, ela se encontra por toda parte. Não há quem manda nem quem obedece, há apenas leis da vida funcionando em todo organismo vivente, autopoiese. Tais leis outorgam aos entes autonomia e liberdade dentro do âmbito das vicissitudes da própria vida. Não há Bem nem Mal, apenas bom e ruim. Não há castigo nem prêmio, mas tão-somente consequências dos encontros, bons ou ruins. Segundo Espinosa, o bom encontro é aquele que aumenta em felicidade e potência um corpo; o encontro ruim é o que diminui a potência e preenche o corpo de tristeza. Também isso não é hierarquia, apenas relação de forças. Nisso, pelo menos, aquelas sociedades, ditas primitivas, imitam a vida.
Quando pensamos na vida, não encontramos nenhuma forma de hierarquia que a sustente. Não há valores na vida que sobreponham uma ordem de baixo para cima, valores maiores e menores. A vida é um conjunto ilimitado, sem fronteiras interiores ou exteriores. Não há maior nem menor na vida. Por isso, a vida não se remete a um objeto nem deriva de um sujeito. Não há em cima nem embaixo da vida, ela se encontra por toda parte. Não há quem manda nem quem obedece, há apenas leis da vida funcionando em todo organismo vivente, autopoiese. Tais leis outorgam aos entes autonomia e liberdade dentro do âmbito das vicissitudes da própria vida. Não há Bem nem Mal, apenas bom e ruim. Não há castigo nem prêmio, mas tão-somente consequências dos encontros, bons ou ruins. Segundo Espinosa, o bom encontro é aquele que aumenta em felicidade e potência um corpo; o encontro ruim é o que diminui a potência e preenche o corpo de tristeza. Também isso não é hierarquia, apenas relação de forças. Nisso, pelo menos, aquelas sociedades, ditas primitivas, imitam a vida.






