
Foto Gladys Branco
Todos, de alguma maneira, já ouvimos a expressão “errar é humano...”. Só não nos damos conta de que tal sentença, normalmente dita por alguém que deseja nos reconciliar com a nossa consciência, de nada vale quando percebemos que erramos, quando “pisamos na bola” com alguém que não merecia.
Neste momento em que escrevo, alguém deve estar magoando, decepcionando, traindo ou ferindo de algum modo o sentimento de um outro. É quando vacilamos em nossos relacionamentos, seja lá em que nível for. E neste caso, de nada nos vale a idéia de que “errar é humano”. Nos sentimos culpados e não é uma culpa falsa, é real.
A culpa falsa tem origem em modos de subjetivação, são formas civilizatórias de interiorizar o sentimento de juízo moral. Tal interiorização, faz-nos sentir como se tivéssemos cometido um único pecado que nos arrastasse inexoravelmente para o inferno, e para esse, não haveria possibilidade de perdão. Neste caso, a dívida é infinita.
A culpa real é diferente, há uma relação direta com o ato que não pode ser mais removido a não ser com um trabalho de reconciliação. Dependendo do caso, o pedido de perdão pode agravar a situação: um pedido de perdão é demasiadamente pequeno em relação ao dano causado, o dano emocional. É preciso ouvir a pessoa (se houver essa condição) que sofreu a ofensa e ficou com a mágoa. Ouvir longamente para que, juntos, se possa digerir o que se passou.
O pedido de perdão é demasiado insignificante para o outro que está ferido. Se houver interesse comum entre ambos, é possível que neste caso se abram possibilidades para reinventar a relação, seja lá de que ordem. A culpa real pode se transformar em “ponto de mutação” para uma relação e para o modo de vida dos indivíduos. O pedido de perdão pode estar subsumido na escuta verdadeira e na fala significativa dos fatos que sucederam. A culpa real é uma dívida finita, paga-se com a reconciliação, é o perdão de si mesmo.
Neste momento em que escrevo, alguém deve estar magoando, decepcionando, traindo ou ferindo de algum modo o sentimento de um outro. É quando vacilamos em nossos relacionamentos, seja lá em que nível for. E neste caso, de nada nos vale a idéia de que “errar é humano”. Nos sentimos culpados e não é uma culpa falsa, é real.
A culpa falsa tem origem em modos de subjetivação, são formas civilizatórias de interiorizar o sentimento de juízo moral. Tal interiorização, faz-nos sentir como se tivéssemos cometido um único pecado que nos arrastasse inexoravelmente para o inferno, e para esse, não haveria possibilidade de perdão. Neste caso, a dívida é infinita.
A culpa real é diferente, há uma relação direta com o ato que não pode ser mais removido a não ser com um trabalho de reconciliação. Dependendo do caso, o pedido de perdão pode agravar a situação: um pedido de perdão é demasiadamente pequeno em relação ao dano causado, o dano emocional. É preciso ouvir a pessoa (se houver essa condição) que sofreu a ofensa e ficou com a mágoa. Ouvir longamente para que, juntos, se possa digerir o que se passou.
O pedido de perdão é demasiado insignificante para o outro que está ferido. Se houver interesse comum entre ambos, é possível que neste caso se abram possibilidades para reinventar a relação, seja lá de que ordem. A culpa real pode se transformar em “ponto de mutação” para uma relação e para o modo de vida dos indivíduos. O pedido de perdão pode estar subsumido na escuta verdadeira e na fala significativa dos fatos que sucederam. A culpa real é uma dívida finita, paga-se com a reconciliação, é o perdão de si mesmo.
11 comentários:
perfeito!!!
Realmente... perfeito. O pedido de perdão é algo muito pequeno, na maioria das vezes, se comparado ao ato que provocou a mágoa... por isso, perdoar é algo que talvez tenhamos que aprender... também, por isso, ele nos faz grandes. abrs., márcio
Perdoar não pode ser meramente esquecer... não se esquece, mas se aprende a conviver com a questão. É verdade que não se pode esperar da co-relação um caminho liso sem tropeços, por isso mesmo se tem que aprender a conviver apesar de muita coisa que devém da vida com pessoas.
Culpa falsa, o arrependimento falso....não há perdão.O indivíduo afunda em si mesmo, não quer perdão, prefere o erro. Culpa real, arrependimento real,desejo de mudança.Para o erro os passos são largos.Se o indivíduo quer perdão precisa ser firme.enfrentar os efeitos do lixo que produziu, as marcas dos pregos.O pedido de perdão é demasiado pequeno,e mutação doi.Quem pagará o preço? O magoado,o ofendido,o que perdoa e acalma a culpa do ofensor.
Rosangela Macae
Clécio,
Adorei a sua definição de perdão e de culpa real. A vida se torna muito melhor quando temos culpas reais do que culpas falsas. As culpas reais nos permitem sermos novas pessoas. Seja de que lado vc esteja nessa situação. A culpa falsa só nos permite acreditar que sempre seremos os mesmos. Que nada há que se possa fazer.
Acho que podemos crescer muito com as culpas reais, desde que aprendamos a pedir perdão (através de escutar o outro) ou darmos o perdão (não querendo esquecer o fato, mas aprendendo a viver com ele).
Que caminho longo é esse o do relacionamento, né?
Beijos!!!!
Em "Memorial de Aires", o monstro sagrado Machado de Assis escreveu que não falta matéria para as discórdias humanas. Eu me pergunto: que seria da humanidade sem as discórdias, erros, vacilos e demais vicissitudes da vida? Me parece que, se tudo fosse lindo e maravilhoso, estaríamos condenados a viver sob o insuportável fardo do tédio. Na verdade, as pequenas e grandes "tragédias" e culpas da vida devem ser encaradas conforme o Mito da Fênix. Dizia-se que o pássaro, quando sentia que ia morrer, juntava em uma pira ervas aromáticas, ateava fogo e morria queimado. No entanto, das suas cinzas surgia outra fênix, que as recolhia e levava ao templo do Sol, na cidade de Heliópolis, Egito. Somente uma fênix poderia viver de cada vez, já que outra fênix só surgia quando a anterior ressurgia das cinzas. Ou seja, as instabilidades inexoráveis da vida podem e devem ser encaradas não como desgraças, mas como oportunidades de transformação e renascimento das cinzas para novos e mais altos voos.
A culpa não existe. Simplesmente VIVA!!!!
É isso.
Abraços,
Robson Gonçalves
Seria bom se você desenvolvesse essa sua descoberta.
Clécio, ainda estou vivendo e descobrindo...
Amo você!!!
Magoeei alguém no término de uma relação sendo vingativa, depreciando a imagem dele perante o meio que o circunda e quase foi despedido. Esse alguém fez-me muito mal, mas, agora, claro, tem todos os motivos do mundo para não me falar. Sinto essa culpa e já lhe disse que não vou ser crucificada por tudo o que fiz pois está feito. Amo-o e ele diz que se eu o amasse nºao o teria feito.
E a vida não é justo assim, subidas e descidas? Pensa-se que o amor e o amar seja alguma coisa pronta e estabelecida, daí é só entrar nele e tudo vai dar bem. Mas não é assim, formas idealistas. Por trás de um ideal de amor exite um sujeito oscilante que, tateando no caudaloso oceano do desejo, faz e desfaz todas as formas ideais. Magoamos pessoas que amamos, pois, sobretudo essas, estão muito próximas de nossas subidas e descidas emocionais. Dificilmente vamos magoar pessoas distantes de nós. Amar e ser amado é uma tarefa complexa. Nos vulnerabilizamos mutuamente quando possuídos pelo fogo do amor.
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